Este mês de julho de 2010 marca a grande mudança no mercado de cartões de crédito brasileiro, com o fim da exclusividade dos clientes POS. As novidades já são comparadas às mudanças que aconteceram em 1999 na telefonia – maior competição que resulta em ganhos para empresas, lojistas e clientes. O assunto ganhou páginas e páginas de jornais e revistas. Para seu conhecimento, o dinheiro de plástico deve movimentar R$ 573,74 bilhões em 2010 – 7,2 bilhões de transações em crédito e débito, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Enquanto todo mundo espera pela regulamentação do setor e normatização das tarifas, há muito otimismo no mercado. Quem antes precisava de vários contratos para aceitar todas as bandeiras agora pode ter um único, já que todas poderão receber vários tipos de cartão. Mesmo que as vantagens de tarifas não sejam repassadas ao consumidor final, só a redução de custo já é fator positivo para a expansão do mercado.

Além de Cielo e Redecard, devem engrossar o leque de credenciadoras as grandes instituições financeiras, como o Banco Santander, que desde janeiro é parceiro da empresa gaúcha de tecnologia GetNet, para atuar na captura e processamento de operações com cartões. O Serviço de Adquirência Santander já está credenciando estabelecimentos comerciais para aceitar cartões da bandeira MasterCard e é provável que também passe a operar com a Visa.

A chegada da GetNet, do Santander, que vai credenciar, capturar e processar as transações via cartão, e da First Data, que atua no Brasil desde 2002, é líder mundial em comércio eletrônico e serviços de processamento de pagamentos, trará mais competitividade ao mercado de processadoras. Devem aparecer também players menores, com atendimento regional. “A maior concorrência trará benefícios, como taxas mais competitivas, novos modelos comerciais, custos menores e mais flexíveis e o ingresso de novas tecnologias de processamento”, prevê. Uma delas, apontada por Gregori, é o pagamento por celular, ainda incipiente no Brasil.

Para se ter uma idéia do quanto o Brasil estava fechado, números. Enquanto as duas adquirentes brasileiras realizam 5,3 bilhões de transações, nos Estados Unidos, há 103 empresas que processam 58,1 bilhões. No México, são 800 milhões de transações, divididas entre 12 adquirentes e no Reino Unido dez empresas processam 7,7 bilhões.

Com informações do Valor Economico